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Você é um palhaço?

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Diário de bordo LusoTrampulínico #8

Por poliana na sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 às 16:05

A beleza do improviso é também a sua grande maldade.
Nada se repete.
Nada irá se repetir.
Um privilégio no qual o ‘poderia ter sido’ é tão vazio quanto realmente é.

Na última terça-feira da temporada portuguesa reunimos todos os grupos de trabalho. Foi a primeira vez que GIRARTE, dISPArteatro e Canto do Vigário (o coro tem nome!) se encontraram. Depois de um ”ensaio geral” para definirmos a ordem dos acontecimentos percebemos que deveríamos nos preparar para não estarmos preparados.

Normalmente, quando saímos de um espetáculo, surgem dezenas de ideias de ”como aquela parte pode melhorar” ou ”como aquilo pode funcionar” ou ”no próximo vou experimentar assim”….
Aqui não tem próximo. O próximo é outro e talvez nem tão próximo assim…
Então aqui vivemos cada instante. Cada único instante. Cada instante único.

Vivemos a vida do improviso. A vida curta do palhaço. O momento em que estamos em cena, que as grandes ideias surgem e que UM eterno segundo se passa desde o surgimento até a ação. Neste eterno segundo uma multidão de idéias mora dentro da gente. Umas amontoadas em cima das outras gritando: Olha pra mim! Ei! Me usa! Me escolhe! Olha eu aqui!!

E de repente somem todas as idéias. E você tem que improvisar.

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Diário de bordo LusoTrampulínico #7

Por poliana na quarta-feira, 26 de novembro de 2014 às 12:28

Lisboa, Sexta feira, 21 de Novembro.

Peço licença para dar ênfase ao trabalho musical que vem sendo desenvolvido com as senhas no coro.
O coro (essa reunião de pessoas de diversos países como Alemanha, Áustria, Brasil e Portugal) me surpreende não apenas pela musicalidade dos integrantes, mas pela liberdade com que assumem as senhas e com o que juntos desenvolvemos.
Um trabalho incrível (não é por nada não) e infinitamente fértil que me mostra como é necessária a disponibilidade criativa (corporal, mental e até espiritual) dos improvisadores.
Com isso, fazemos TANTO com tão pouco!! 30 senhas. Trintinha! O que é trinta pra quem tem mais de mil? Poderia ser muito pouco, mas aqui é muito (ponto)
Com trinta eles cantam, dançam e representam (se é que vocês me entendem!)

Se eles são cantores profissionais? Se eles são bailarinos? Se eles fazem teatro?
NÃO .

Mas o comprometimento, a PRESENÇA e, principalmente, a disponibilidade deles leva-nos a lugares muito interessantes e a um nível artístico muito elevado. O diferencial é a forma como tratam o instante da improvisação. Com vontade, curiosidade e excitação pelo imprevisível. E como se surpreendem com eles mesmos a cada nova composição.

Entender que o improvisador deve ser propositivo e que deve-se errar com a mesma convicção com que se acerta resulta num material potente por natureza, isto é, verdadeiro.

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Diário de bordo LusoTrampulínico #6

Por poliana na quarta-feira, 26 de novembro de 2014 às 12:15

O PALHAÇO E A COMPOSIÇÃO EM TEMPO REAL : primeiros apontamentos

Chegou finalmente o momento tão esperado. Experimentar as senhas nos jogos de palhaço.

Até hoje a experiência era trazer a música para a cena, brincar com a cena que a música propõe, viver o movimento do jogo musical. Essa é a experiência do Frito Na Hora e do Trampulim. A experiência que divido com estes grupos e da qual nasceu o desejo forte de aplicar este método no jogo cênico, mais especificamente no jogo do palhaço.

Começamos então este laboratório com o grupo composto por alguns atores do dISPArteatro e curiosos pela arte do palhaço.

A única conclusão possivel: isso vai dar pano pra manga e pode fazer correr muita tinta!!

Primeiro porque o que temos aqui é também uma prática de conjunto (como na música) e que no teatro também podemos chamar de exercício coletivo. Neste sentido as senhas são mais uma vez uma poderosa ferramenta de treinamento da cooperação, do diálogo e da escuta (só pra resumir).

Depois porque especificamente para o jogo do palhaço, a tríade foco, apoio e contraponto pode ganhar uma força descomunal com as senhas! E para além disso essa linguagem também pode ser usada como  um recurso a mais na busca pelo risível! Criando dinâmicas e texturas nos textos, sons e movimentos da cena. (Só pra resumir também)

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