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Diário de bordo LusoTrampulínico #7

Por poliana na quarta-feira, 26 de novembro de 2014 às 12:28

Lisboa, Sexta feira, 21 de Novembro.

Peço licença para dar ênfase ao trabalho musical que vem sendo desenvolvido com as senhas no coro.
O coro (essa reunião de pessoas de diversos países como Alemanha, Áustria, Brasil e Portugal) me surpreende não apenas pela musicalidade dos integrantes, mas pela liberdade com que assumem as senhas e com o que juntos desenvolvemos.
Um trabalho incrível (não é por nada não) e infinitamente fértil que me mostra como é necessária a disponibilidade criativa (corporal, mental e até espiritual) dos improvisadores.
Com isso, fazemos TANTO com tão pouco!! 30 senhas. Trintinha! O que é trinta pra quem tem mais de mil? Poderia ser muito pouco, mas aqui é muito (ponto)
Com trinta eles cantam, dançam e representam (se é que vocês me entendem!)

Se eles são cantores profissionais? Se eles são bailarinos? Se eles fazem teatro?
NÃO .

Mas o comprometimento, a PRESENÇA e, principalmente, a disponibilidade deles leva-nos a lugares muito interessantes e a um nível artístico muito elevado. O diferencial é a forma como tratam o instante da improvisação. Com vontade, curiosidade e excitação pelo imprevisível. E como se surpreendem com eles mesmos a cada nova composição.

Entender que o improvisador deve ser propositivo e que deve-se errar com a mesma convicção com que se acerta resulta num material potente por natureza, isto é, verdadeiro.

É óbvio que com poucos encontros não pretende-se aprofundar na forma musical…
Mas, no caos da improvisação conseguimos ver emergir materiais musicais muito únicos.

Mais especificamente no que diz respeito à educação musical, entendo este método da composição em tempo real por meio de senhas como uma poderosa ferramenta com potencial de transformar explicações musicais teóricas que para muitos poderiam parecer complexas num exercício prático e simples. O que facilita profundamente a vida de um professor de música.

Para além disso usamos também este método como prática de conjunto. Muitas vezes a maior dificuldade encontrada por professores que experimentam este exercício é a heterogeneidade do conjunto. Isto é, como encontrar um material que todos possam tocar juntos independente de sua capacidade técnica e neste trabalho este é um ponto que conta a favor.
Não importa se vocé toca muito, pouco ou mais ou menos. Nós vamos encontrar um lugar pra você! (Parece até merchandising!)
Esta forma de composição e improvisação aborda tanto a performance individual quanto a performance individual no contexto do conjunto, o que motiva os participantes e consequentemente explica o comprometimento.
Por meio das senhas conseguimos celebrar a pluralidade cultural deste grupo, encontrando espaço para a subjetividade, abraçando a identidade de cada um dos participantes e potencializando o material criativo coletivo.

Com a voz e o corpo vamos encontrando um caminho híbrido onde bordamos o tempo com música e cena.

1 comentário

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Comentários em “Diário de bordo LusoTrampulínico #7”

  1. “Lisboa depois das senhas”, um documentário brevemente perto de si. Brincadeiras à parte, foi um enorme prazer para este colectivo, o Canto do Vigário, receber a Poliana e aprender umas quantas senhas. Na rigidez de um método encontram os performers novos graus de liberdade. Obrigracias!
    PS: também há espanhóis no CAnto do Vigário, e os italianos, holandeses e franceses abandonaram-nos temporariamente…

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