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Diário de bordo LusoTrampulínico #6

Por poliana na quarta-feira, 26 de novembro de 2014 às 12:15

O PALHAÇO E A COMPOSIÇÃO EM TEMPO REAL : primeiros apontamentos

Chegou finalmente o momento tão esperado. Experimentar as senhas nos jogos de palhaço.

Até hoje a experiência era trazer a música para a cena, brincar com a cena que a música propõe, viver o movimento do jogo musical. Essa é a experiência do Frito Na Hora e do Trampulim. A experiência que divido com estes grupos e da qual nasceu o desejo forte de aplicar este método no jogo cênico, mais especificamente no jogo do palhaço.

Começamos então este laboratório com o grupo composto por alguns atores do dISPArteatro e curiosos pela arte do palhaço.

A única conclusão possivel: isso vai dar pano pra manga e pode fazer correr muita tinta!!

Primeiro porque o que temos aqui é também uma prática de conjunto (como na música) e que no teatro também podemos chamar de exercício coletivo. Neste sentido as senhas são mais uma vez uma poderosa ferramenta de treinamento da cooperação, do diálogo e da escuta (só pra resumir).

Depois porque especificamente para o jogo do palhaço, a tríade foco, apoio e contraponto pode ganhar uma força descomunal com as senhas! E para além disso essa linguagem também pode ser usada como  um recurso a mais na busca pelo risível! Criando dinâmicas e texturas nos textos, sons e movimentos da cena. (Só pra resumir também)

Mas acho que é muito cedo para tecer reflexões. É uma prática que apenas começou e que apesar de já mostra tudo aquilo que eu e meus companheiros imaginamos… As inúmeras possibilidades de utilização….desde o uso como ferramenta no processo criativo de montagens até a composição em tempo real no jogo do palhaço.

Contraditório porque o palhaço já compõe no real, com o real ( e quase não consegue ganhar nem um real!)

Então… Por isso mesmo é cedo! É preciso ainda encontrar as chaves desse jogo e o que importa é que já começamos! E foi lindo!!!!

 
E voltemos à profundidade do palhaço. À profundidade da bobagem…
Voltamos ao GIRA E AOS DESDOBRAMENTOS…
Se faltava o nariz vermelho agora já não falta.
Ganhei hoje uma aluna nova… Me disse que seu sonho era ser palhaçO, mas que não a deixaram.  (PalhaçA aqui poucos dizem)
Era um bom dia para sabermos o que aconteceria se colocassem a menor máscara do mundo.
O medo de colocar a máscara vem porque normalmente, quando numa oficina coloca-se o nariz, a naturalidade vai por água abaixo e dá lugar à forma. Eu deixo de ser para querer parecer algo idealizado. Alguém que imagino. Isto é, começo a pensar.
Então tentei ser o mais discreta possível. Uma das alunas fala bastante. (Eu poderia usar as expressões: fala mais que pobre na chuva ou fala pelos cotovelos) ela gosta mesmo de falar. É como se ela estivesse num exercício de fluxo constantemente, fazendo todas as livres associações que nós adoraríamos fazer!
Num destes momentos de fala abundante (digamos assim) coloquei o nariz nela.
E todas aquelas palavras livremente associadas ganharam a permissão de se tornar para o público um discurso muito coerente. E as repetições, os tiques, o trejeito completaram sua missão de fazer rir. Ela gostou! Aproveitou! E quando já não tinha mais nada pra dar disse: agora já chega!
Tirou o nariz e finalizou! Ah…vocês são tão bons pra mim!! No tempo perfeito. 1, 2, 3. Palmas!!!!!!!
E muitos outros passaram por ali, pelo centro da roda, o centro das atenções, o lugar que antes causava-lhes medo e que agora causa-lhes aquele frio na barriga que move todos os artistas de palco. Todos os que se propõe ao risco de estar em cena.
O que só olha, só olhou e só de olhar nos tirou o ar!
E chegou então a vez dela…aquela que queria ser palhaço! Colocou o nariz e foi pro centro da roda. Nela pude ver tudo. Ela. A forma. Ela outra vez. Ela fugindo da forma. Ela caindo. Ela levantando. Ela de verdade. Ela provocando o riso. Ela rindo por não conseguir provocar o riso. Ela se lamentando por como é difícil fazer as pessoas rirem. Ela se entregando. Ela ela ela. Mudando de máscara. Transitando….se perdendo, se achando. E nós com ela, na viagem dela, no mundo dela. Sendo transformados e voltando….com um olhar novo…fresco.
Como eu queria aprofundar o trabalho com estas pessoas!!! Desejo pulsante neste momento!
Mas já é hora….
A última semana deste trabalho me espera.
Uma semana de desafios.
Juntar os três grupos.
Realizar uma apresentação final.
Um ensaio aberto.
Uma aula espetáculo.
Uma mostra do que produzimos ao longo deste novembro (todo ele) desafiador.
Frio na barriga…
Que venha a dopamina!!
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